O uso da Escala SWIFT e o impacto nas taxas de reinternação em UTI
A reinternação em Unidade de Terapia Intensiva representa um dos indicadores mais sensíveis da qualidade assistencial hospitalar. Além do impacto clínico, ela gera consequências emocionais para pacientes e familiares, eleva custos institucionais e pode indicar fragilidades no processo de transição do cuidado.
Por esse motivo, ferramentas que permitam prever o risco de readmissão tornam-se estratégicas para uma alta segura e para a sustentabilidade da gestão hospitalar.
Por que a reinternação em UTI é um indicador crítico?
A literatura científica aponta que taxas ideais de reinternação em até 48 horas após a alta da UTI devem permanecer entre 1% e 2%. Percentuais acima desse patamar exigem revisão de protocolos assistenciais, fluxos de transição e planejamento multiprofissional.
O próprio Manual 2026 da ONA destaca o processo de saída da UTI como ponto vital de avaliação na qualidade do cuidado. A transição entre setores é um momento de risco, que exige critérios objetivos e tomada de decisão baseada em evidência.
O que é a Escala SWIFT?
A Escala SWIFT, sigla para Stability and Workload Index for Transfer, é uma ferramenta desenvolvida para predizer o risco de readmissão não planejada em UTI.
O escore considera quatro grandes critérios:
- Origem da internação
- Tempo de permanência na UTI
- Relação de trocas gasosas, avaliando oxigenação e retenção de CO2
- Nível neurológico do paciente
Cada item recebe uma pontuação, com somatória variando de 0 a 64 pontos. Quando o resultado é superior a 15 pontos, o risco de reinternação torna-se significativo, sendo recomendada a permanência do paciente na UTI para reavaliação clínica.
Mais do que apenas pontuar, o uso da SWIFT deve ser associado a uma estratégia estruturada de acompanhamento e planejamento multiprofissional.
Caso prático: redução expressiva de reinternações
Um exemplo concreto da aplicação da ferramenta ocorreu na UTI Adulto do Hospital Unimed Uberaba, gerida em parceria com a Medical Solutions.
Após um aumento nas taxas de readmissão observado em 2024, a Escala SWIFT foi implantada em janeiro de 2025 como parte de um protocolo estruturado de alta segura.
Os resultados foram expressivos:
- Redução média de 55% nas taxas gerais de reinternação
- Redução de 64% nas readmissões em até 72 horas após a alta
Além da aplicação da escala, foram adotadas medidas complementares:
- Manutenção do paciente por mais 48 horas na UTI em casos de alto risco
- Reavaliação diária do escore
- Planejamento multiprofissional estruturado
- Comunicação antecipada ao setor receptor para preparo da admissão
- Organização da transição de cuidados de forma segura
Esse modelo foi apresentado durante o XXX Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva, realizado em Curitiba pela AMIB, reforçando o caráter técnico e científico da iniciativa.
Benefícios estratégicos do uso da SWIFT
A adoção de ferramentas de predição como a SWIFT gera impactos clínicos e gerenciais relevantes:
- Maior segurança na alta da UTI
- Redução de reinternações precoces
- Melhoria da experiência do paciente e familiares
- Otimização da gestão de leitos
- Redução de custos institucionais
- Fortalecimento de indicadores para processos de acreditação
Em um cenário hospitalar cada vez mais orientado por dados e qualidade assistencial, decisões baseadas em evidência deixam de ser diferencial e passam a ser requisito.
Planejar a alta da UTI exige critério, responsabilidade e metodologia estruturada. A Escala SWIFT demonstra ser uma ferramenta eficaz na predição de risco de readmissão, especialmente quando associada a protocolos bem definidos e integração multiprofissional.
Reduzir reinternações não é apenas uma meta assistencial. É um compromisso com segurança, sustentabilidade e excelência no cuidado.
Referências:
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The Stability and Workload Index for Transfer score predicts unplanned intensive care unit patient readmission:
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